São José de Anchieta – Apóstolo e catequista do Brasil


Falar do Padre José de Anchieta é falar do nosso Brasil, é contar a nossa história. Muitas são as páginas escritas sobre o nosso Santo, “Apóstolo” da nossa gente, iniciador de uma história rica e marcada pela atuação de Deus. A biografia mais antiga que encontramos sobre a vida do missionário em terras de Santa Cruz, tem data de 1598, e foi redigida por um jesuíta, reitor do Colégio da Bahia, chamado Quirício Caixa.
Canonizado recentemente, depois de muitos anos de espera, o Papa Francisco o declarou digno de veneração e culto público em 03 de abril de 2014. José de Anchieta entrou na lista dos santos protetores do nosso povo. No dia 02 de abril, as igrejas no Brasil, alegres pelo anúncio, soaram solenemente os sinos em sinal de agradecimento a Deus pela vida de santidade e zelo pela missão do grande jesuíta, proveniente de tão longínquo lugar para que Nosso Senhor Jesus Cristo fosse também conhecido em terras recém-descobertas pelos portugueses.

Sua vinda a este povo foi em 1553, na Bahia. Chegando a terras ainda incógnitas, o padre provincial o recebeu com muito amor e feliz pelo conhecimento das suas muitas virtudes. Sua missão deu-se junto aos índios da Capitania de São Vicente, esta que fora a primária povoação estabelecida no Brasil, com grande solenidade, com forma, ordem e comando régio, no ano de 1531, por Martim Alfonso de Souza, o qual fora emissário como chefe e comandante da armada, por D. João III, rei de Portugal, para empreender as costas marítimas austeras de novas terras; para reconhecer o Rio da Prata; para fundar uma colônia poderosa que lhe parecesse mais conveniente. No dia 25 de janeiro de 1554, fundou o Colégio São Paulo, dando início à povoação, que também recebeu o nome de São Paulo, conhecida por nós como a “terra da garoa”. Nessa ocasião, numa casinha pobre, foi celebrada a primeira missa em São Paulo.

Suas virtudes eram notáveis. Desde jovem já demonstrava amor ao Evangelho de Nosso Senhor. Com apenas 16 anos, perante a imagem da Virgem do Bom Conselho, fez um voto de castidade, no qual consagrou sua vida e sua virgindade ao patrocínio de Maria, Mãe de Deus. Na Companhia de Jesus, comprovava imenso e profundo amor à Eucaristia, exercendo uma piedosa intimidade com Jesus na Hóstia Santa. Sua criatividade e talento para tantas artes faziam com que pregasse e ensinasse através de encenações.

É verdade também que o nosso santo tinha uma saúde muito delicada. Foi por esse motivo, e também pela providência de Deus, que Anchieta chegou a esta terra, pois possuía uma boa fama de ser mais saudável e com ares mais agradáveis. A espiritualidade acentuada em José de Anchieta o levava a contemplar a ação de Deus na transcendência. Ele possuía a fé e via com olhos do sobrenatural tudo aquilo que a bondosa providencia o oferecia. O espírito missionário fez com que José de Anchieta percorresse o nosso imenso Brasil, da Bahia a São Paulo, no qual realizava visitas às mais distintas aldeias indígenas já catequizadas, para que a fé fosse confirmada e vivenciada. Sua pobreza missionária o fazia andar descalço, com uma surrada batina, o rosário de Nossa Senhora e a Cruz de Nosso Senhor. Muito andou o nosso apóstolo percorrendo difíceis estradas.

Hoje, o povo brasileiro venera São José de Anchieta como aquele que por sua constância na fé e na observância dos mandamentos, viu-se agraciado por Deus. Viveu em nossas terras durante 44 anos. Ele é considerado o catequista dos primeiros habitantes desta Terra de Santa Cruz. De corpo e alma entregou-se à catequese dos índios. Jamais podemos nos esquecer da sua grande devoção e amor filial à Mãe de Deus, o que fez com que toda sua vida fosse marcada pela presença da Virgem Maria. Em uma de suas visitas às comunidades indígenas, ficou preso por vários meses. Pediu patrocínio à Virgem Maria e, mesmo antes de ser liberto, compôs um poema em sua homenagem. Nas areias da Praia de Iperoig, atual Ubatuba, litoral paulista, escrevia os mais inspirados pensamentos, pois não tinha papel e tinta para escrever. Assim conhecemos o “Poema a virgem”.

Homem de muita oração, exercitado e ininterrupto nela, dormia pouco e vivia em constante diálogo com Deus. Foi de grande dedicação. Acudia a cada dia oito, dez e mais missas de joelhos, com muito gosto e devoção, ainda que com muito custo de sua saúde.

Inegavelmente, a nota particular de Anchieta é sua inclinação missionária. José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil, viveu verdadeiramente como mensageiro do Evangelho, na humildade e na consagração total da sua vida, depois de ter renunciado a uma carreira brilhante em Coimbra, onde iniciou seus estudos. Morreu na capitania do Espírito Santo, a 9 de junho de 1567.

Felizes somos nós, brasileiros e brasileiras, pela vida dos missionários que vieram a essas terras. Com sua experiência de Deus e a fé que lhes dava força e coragem, fizeram com que a mensagem do Evangelho chegasse até nós. Nossa gratidão aos primeiros anunciadores do Reino deve ser perpétua e generosa. Queiramos nós também, a exemplo de tantos missionários, de São José de Anchieta, colocarmos nossas vidas em dinâmica, anunciando o amor de Deus e a obra de salvação realizada em nós. Que Nossa Senhora Aparecida, Mãe Missionária, nos inspire a cada vez mais querer acolher o projeto de Deus em nossas vidas. São José de Anchieta, rogai por nós.

Diác. Everton Vieira

Paróquia Santa Maria dos Pobres

Brasília – DF

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